segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Venho buscando as palavras certas. É incrível como elas se escondem bem. Ainda não as desvendei e pode ser que eu nunca as encontre. Não importa. Mas como começar? Talvez seja como uma corrente elétrica que atravessa o peito e faz a ponta dos dedos formigar, ou então como se um trovão tivesse se alojado entre os pulmões, entre-camadas. Melhor, começarei pelo começo. Um convite, tão somente um convite. Ela se fez presente, primeiro como um doce murmulho. As ondas cresceram em coragem e tamanho, e com elas o murmulho deixou de existir e deu silêncio para que a melodia enfim pudesse ter início. Como se sua presença não bastasse, ela, à medida que as ondas se derramavam todas sedosas e reluzentes pela areia, espalhava ramos que se enraizavam através dos poros, das fibras, do que tenho de mais humano. Me furta os sorrisos mais secretos, as pétalas. Ela sempre foi, sempre soube, ela nunca será nem mais nem menos, nem menor nem maior, apenas o que ela é, a pequeneza que nos engrandece.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vertigem.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Minhas pernas derretem, derretem e se transfiguram num mar azul como a aurora. As ondas seguem ao horizonte, serenas, e lá longe, depois do precipício, do abismo da cachoeira-fronteira, um globo de ouro e fogo é içado por um fio invisível, tão invisível quanto as cordas que me sustentam. Mas não há ventríloquos. Somos somente nós, criatura e sol, nos erguendo no mesmo compasso. Arquitetos do destino. Entre um e outro, o Vale da Sirena. Que sol bonito, que cores mais brilhantes, que brilho mais colorido, que bela sina. Venha a mim através das águas mornas. Não tema.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A vida não quer que sejamos destemidos. Ela exige provas de bravura; quer que tenhamos medo, que com o tempo adquiramos a capacidade de superá-lo. Nunca esquecê-lo, mas aprender com ele. De modo que, de ano em ano, verão sobre verão, nos tornemos mais valentes. Mais que isso, a vida nos ensina a não temer a própria voz, as palavras que se negarmos estamos nos negando a nós mesmos. E não me refiro a sílabas soltas. A voz transmutada em ação nos realiza como pessoa.

É o que a vida quer, e o que eu quero dela não é tão diferente.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Componho canções de valentia e ousadia à faminta boca do coração. Se ficar para sempre, esperarei para sempre. A última coisa que desejo é ser refém dos ponteiros. Que existam, que dêem suas voltas infinitas, que pesem sobre os peitos alheios; longe. Porque se estiverem perto, aí sim, inevitavelmente, eu mesmo ganho distância daquilo que mais deveria amar, minha própria pessoa. Jamais esquecer de zelar pelo suave e não-amargo, jamais esquecer da vigília de uma manhã que se aproxima sem receio, sem insegurança, sem medo de ter medo; o nascer de um dia que não é apenas o nascimento pelo nascimento, mas o revigorar de mim mesmo, sim, aquele a quem aprendi a amar sem dúvidas.

sábado, 10 de setembro de 2011

E ao correr ao fundo do mar,
trevas que faíscam em vida,
os sonhos desejo alcançar;
descubro que a imaginação não está perdida. As medusas vão iluminando o caminho de uma rotina corrida e algo que não consigo identificar, meus sentimentos oscilam entre partir e ficar.
Através de lençóis oceânicos
os saltos me levam adiante
e sei que não preciso de anzóis
para que a baleia fulgurante determine o rumo da jornada. Ao sabor dos quatro ventos, sigo o sul sudoeste, rumo à terra celeste, à terra não-contada talvez até inventada (e imprudentemente fértil).

De pés agora desvendados
meus olhos não hesitam,
aceito os céus como meu chão
ao contar os últimos passos dados. A baleia que está firme na mão me guia pelas ondas de som, encaminhando-me às águas de onde provi.

(Daniel e Laís / Setembro de 2011)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

o que era pouco se fez tanto
quando o passado negou ao presente
uma história que não fosse cíclica.
o tão somente doce ficou meio amargo
assim que a certeza avistou a dúvida de outro.
o que era dourado desbota em cinzas
e sabem os céus que não gosto delas,
então de braços abertos eu espero,
nem fantoche nem vira-lata,
pelo que pode ser o último entrelaço...
...muita paciência, sim, é hora de muita paciência...
...e apesar de descobrir que meu amor vence o tempo,
atravessá-lo é mais derrota que vitória.
só me resta aceitar as condições e regras,
o eterno que eu vou levar incondicionalmente.
está além das minhas vontades, não há fim