domingo, 24 de abril de 2011

Hoje eu não me sinto mais especial. Hoje eu olho para trás e tento entrever por um emaranhado de linhas obscuras o que deu errado. Hoje eu sento. Hoje eu penso. Hoje eu sinto o peso. Vou deixando todos os rios fluírem, fluírem por achar que fiz e faço o melhor, o melhor possível. Sou fiel aos meus sentimentos. Não deveria ser suficiente? Mas preciso lidar com a verdade. Agora não sou mais o menino que se transforma em beija-flor, nem a encantadora de mentes, nem o velho que tenta fugir da morte e muito menos a bailarina em queda livre. Todos em mim, juntos, e nenhum deles capaz de me ajudar. Está na hora de assumir o papel de protagonista.

Asfixia mas dá fôlego.
Consome mas nutre.
Estremece mas sustenta.

sábado, 19 de março de 2011

Laís diz:
meu
Laís diz:
tu deveria postar assim
Laís diz:
só ao broto lua pertence minha dama nua
Laís diz:
aehiouhaeoiuheaoiuheiaoheaiae
Laís diz:
eu to com essa frase na cabeça hoje




Depois dizem que eu sou o perturbado. O dia de hoje foi inacreditável. Obrigado a todos vocês.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A gente poderia discorrer sobre uma história que vacila no concluir, ou poderia sofrer da condição de estar preso à luz de um farol distante, tão distante que nem seus olhos o vislumbrariam. O rumo seria sentido, apenas sentido. Se todo o destino estivesse contido na agulha, não haveria garantias que a bússola orientasse ao Norte. Direções e mais direções, fachos se abririam nos horizontes, os mirantes ascendendo do oceano aos montes, separados mas em uníssono. Sem saber qual lanterna atrairia o ponteiro, a embarcação lançaria a âncora à deriva e aguardaria até que os faróis decidissem por ela. Nem tornar o leme faria o relógio andar depressa. A gente poderia...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Choveu, e ainda chove.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Tenho pensado sobre sementes. Elas são e não são. Poderiam, mas às vezes se negam a germinar. Em momentos geniosos, às vezes somos nós que forçamos seu desenvolvimento, obstinados a, mesmo sem saber, criar algo que nos fará mal ou que de nada nos pertence. Elas têm mais a ver com ideias, ideais e sonhos do que qualquer outra coisa. Das coisas que não são, os seres humanos são as que tendem a elaborar uma certeza vital de que a própria existência surgiu anexada a um propósito. Nem reles nem extraordinária, ainda que possa se encaixar em ambos. Curiosamente, mais uma vez tudo depende da percepção. Não mais tão surpreendente mas definitivamente ainda mais curioso é que, ao menos a mim, essa tal existência se construiu com tamanha complexidade que por vezes me sinto a criaturinha mais insignificante e sou tomado pela convicção de que tudo isso não vale nada, e, em contrapartida, por vezes assimilo os fatos com a tão desejada simplicidade. Cada segundo à sua maneira humilde. Dia por dia. O presente eterno, um breve adeus às náuseas da hostilidade, efemeridade. Por somente um instante, um instante apenas, paro para refletir sobre a improbabilidade de o meu existir. Sorte? Acaso? Uma absurda torrente de coincidências que me trouxe até aqui, isso sim! (Que te trouxe até aqui também, não se esqueça.) E a realidade continua a ser moldada pela nossa imaginação. Eu crio a minha, você cria a sua, assim por diante, até que juntos todos nós criamos e disso se inventa o resto. Eu crio a mim, você cria a você. Agora, se vierem me perguntar dos outros... Se ninguém pensou nisso até agora... pode ser que eles não façam parte das coisas que não são. Pode ser que eles sejam.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Só há pouco tempo descobri que ao invés de insistir em esquecê-las, evitá-las, ignorá-las, deixá-las se apagarem como um déjà vu de uma faísca mal incendiada, abortada e desbotada, devemos realçar as recordações, revivê-las e até mesmo reimaginá-las em uma grande moldura de cristal em que tudo o que se vê além do véu translúcido não passa de um reino de casualidades: um todo líquido em que passado, presente e futuro se reencontram.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

É algo sobre a ausência de algo, ou talvez seja uma ausência de mim mesmo. Não importa muito e nem estou muito interessado. É assim, e simplesmente continuará sendo por todos os tempos em que estiver a sós contigo, comigo, ou com os sóis que ardem aqui no íntimo. Ah, como ardem! Iluminam, claro, mas nem toda luz é bem vinda. Tempos de escuridão são tão relevantes quanto os outros, ora pois! E na verdade pode ser que seja sobre a dor, e não sobre a ausência, e a questão principal da dor é que ela vem e não há escapatória. O importante é saber que o sofrimento é opcional. Mas, céus, como tem gente que gosta de sofrer! Sofrer por tudo, sofrer por nada, por todos e ao mesmo tempo por ninguém. Por quê? Não pergunte pra mim que eu não faço a menor idéia! Sentir aquelas pontadas de melancolia é até gostoso, só que tem um limite. Bom, pra mim tem. É até reconfortante saber que quase ninguém vem ler esses textinhos, porque no fundo o propósito agora é justamente esse: lançar as palavras apenas pelo prazer de fazê-lo. E falando em lançar, deu uma vontade de ligar pros amigos e marcar alguma coisa. Sabe, lançar a sorte junto aos outros? Mas espera um pouquinho... Isso tudo não tinha começado com solidão?